DAIANE MOLET: Um sentimento: amor ao carnaval
26/03/2019 22:10 em Novidades

Um sentimento: amor ao carnaval

O carnaval de Uruguaiana tem um toque muito especial e fundamental para seu sucesso. Nem os quase 2000 km de distância do Rio de Janeiro, os 600 km da capital, Porto Alegre, o frio e o vento, madrugada a dentro, são capazes de afugentar os turistas. Há quem diga que o sucesso provém das alegorias, das fantasias e dos artistas oriundos do Rio de Janeiro e de São Paulo. É inegável que os desfiles possuem uma qualidade visual e técnica que impressionam quem assiste. Entretanto, há um toque uruguaianense na festa: seu povo e o inerente amor pelo carnaval.

Os foliões fazem a festa acontecer, dão vida às fantasias e às alegorias. E estes foliões estão espalhados pela cidade. Basta uma caminhada pela cidade e logo escuta-se os sambas enredos, vê-se as cores das escolas em bandeiras, camisetas, blusas bordadas, chapéus. Se há uma fila no caixa, o assunto não poderia ser outro. Sempre há um torcedor da Cova da Onça e um, do Rouxinóis disputando o campeonato. Lógico que as demais escolas entram no debate, afinal tem a Ilha do Marduque e seu enredo sobre o cinema, tem Bambas da Alegria sempre com sambas marcantes, tem Imperadores do Sol e Deu Chucha na Zebra. E, no acesso quem sobe? Apoteose ou Império Serrano?

Um espaço peculiar é a concentração na Presidente Vargas. Os sons dos sambas enredos misturam-se com os ruídos das serras, dos martelos, dos gritos dos trabalhadores. Os aromas da culinária, com a cola quente, com a tinta. É um vai e vêm incansável para quem gosta de apreciar este momento antes do desfile. Nada mal sentar e tomar uma cerveja enquanto ocorrem os testes de luzes das alegorias.

Quando anoitece começa o deslocamento do público para a avenida. Grande parte dos espectadores decora camarotes e frisas com as cores da escola preferida. Balões, bandeiras, camisas, cartazes. Cores e emoções que contaminam a passarela. Em cada escola, a interação dos componentes com o público que se entrega ao sentimento e aquece a noite gelada. Há uma troca fascinante de energia, para quem desfila e vê aquele público animado e, para quem assiste e vê a entrega de cada componente. Enquanto a escola passa, surgem os personagens encontrados durante o dia, o porteiro do hotel, a vendedora, o caixa do supermercado.

De todas as alas, a que mais chama a atenção, é a ala das crianças. Cantando e sambando com muita garra, elas levantam a avenida enquanto passam. O amor ao carnaval começa desde cedo e estende-se a melhor idade e independe das contas bancárias. O amor que nasce no berço, provavelmente ninado com o samba preferido, garante o presente e o futuro do carnaval de Uruguaiana.

É bem verdade que o carnaval de Uruguaiana tem fantasias e alegorias que já passaram no Rio e em São Paulo, mas tem, principalmente amor, calor, raça, orgulho, vontade, vida, alegria, povo carnavalesco. Por tudo isso, quando termina no amanhecer de domingo surge aquela melancolia e o desejo de reviver cada momento no próximo carnaval.

 

Por: Daiane Molet

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