Emoção, gesto inesperado, cártase e garra marcaram a segunda noite de ensaios técnicos na Sapucaí.
17/02/2019 09:53 em Novidades

Emoção, gesto inesperado, cártase e garra marcam a segunda noite de ensaios técnicos na Sapucaí.

O Sambódromo recebeu na noite deste sábado Salgueiro, Viradouro e Grande Rio e vivenciou uma noite que ficará marcada na história dos Ensaios Técnicos do Rio de Janeiro. Uma noite emblemática para quem acompanhou todo o pré-carnaval de 2019.

Regina Celi Fernandes Duran presidiu o Salgueiro de 2009 até 2018, conquistando um campeonato pela escola da Tijuca, em 2009, Regina recolocou o Salgueiro no topo do Carnaval, reestruturando a escola e trazendo competitividade de volta a vermelha e branco. Embora todo sucesso de sua administração, sua saída da escola foi muito conturbada ao modificar o estatuto da escola, para uma nova tentativa de eleição. A mesma se reelegeu, porém a chapa opositora de André Vaz, recorreu na justiça e deu-se início uma longa e demorada batalha judicial, com várias medidas temporárias que gerou inúmeras alternâncias de presidência ao longo do ano que passou.  Em um dos períodos em que Regina estava no comando do Salgueiro, muitas trocas na equipe foram feitas. Emerson Dias chegava ao Salgueiro como voz única da agremiação, enquanto o casal Bejani, da Comissão de Frente e a Porta bandeira Marcella Alves deixava a agremiação.  

A dispensa de Marcella causou muita repercussão, e versões contubardas. A até então Porta bandeira do Salgueiro estava grávida e em um áudio que circulou pelas mídias, Regina chega a justificar a saída da Porta Bandeira se pautando na gravidez da mesma. Sidclei, em solidariedade e companheirismo a Marcela, se desligou da escola também e Regina promoveu Vinicius Pessanha até então segundo Mestre Sala, junto com a contratada Jack Pessanha que na época era a primeira Porta Bandeira da Unidos da Tijuca, para formar o novo primeiro casal da escola. Sérgio Lobato foi contratado para ser o coreográfico da Comissão de Frente para 2019.

Com uma nova equipe fechada, seguiu os vários entraves judiciais,  até que em Dezembro de 2018, André Vaz, em decisão definitiva, pela justica, é determinado como o novo presidente do Salgueiro. A pouco menos de três meses do Carnaval, Mestre Marcão é dispensado pela nova diretoria,  e a bateria passou a ser comandada por Guilherme e Gustavo, irmãos e prata da casa. Além dessa alteração, a nova diretoria, traz de volta o intérprete, que marcou época no Salgueiro, Quinho para dividir o microfone com Emerson, além de renomear Marcella e Sidclei como primeiro casal.

Com o fim do embrólio judicial, a escola começou a correr contra o tempo para dá prosseguimento aos trabalhos que se encontravam paralisados como o andamento do barracão. 

Bom... Sob dúvidas, incertezas e questionamentos, além de uma carga e desgaste emocional para todos da nação salgueirense, a escola deu início ao seu ensaio, sob o som de um dos sambas mais tocados e popular no pré-carnaval e sob a presença de Regina Celi. 

Sim! A mesma se posicionou em frente ao módulo 1 de julgadores e alí ficou para assistir a passagem da escola. 

O samba, de autoria de Marcelo Motta e parceiros confirmou sua popularidade nas arquibancadas logo no início do ensaio sendo entonado pelo público presente. A comissão de Frente se apresentou de forma entrosada e convicta com uma coreografia forte e de impacto que chamou a atenção de quem assistia. 

Marcella e Sidclei chegaram ao primeiro módulo de apresentação e como de praxe, mais uma vez foram perfeitos em cada movimento, gesto e marcação durante toda a coreografia.

Ao findar da apresentação, eis que acontece o momento mais marcante, inesperado e inusitado da noite. O primeiro Casal, em um gesto nobre, conduziu o pavilhão salgueirense até Regina Celi que comprimentou ambos. Neste momento, os primeiros setores que visualizaram a cena, gritaram em uma única voz "Regina!". Um gás foi injetado na escola, Regina começou a pular, cantar e adentrar as alas, a escola toda respondeu ao momento, e o canto e evolução salgueirense foi elevado a um nível difícil de se alcançar. Arrebatador!

Esse êxtase foi se perpetuando por toda a escola durante um tempo considerável. A escola pulsava intensamente na avenida.

Sob novo comando, a Furiosa manteve a qualidade com bossas e paradinhas bem encaixadas ao samba, agregando mais qualidade ainda ao mesmo. 

Após passagem de carro de som, o êxtase citado acima, devido a todo o ocorrido, foi passando, e claro notou-se uma queda na empolgação e no canto da escola, porém é preciso diferenciar que não foi uma queda técnica. O canto e evolução permaneceram fortes, e a queda (não técnica) perceptível se deu a um fator externo e inesperado que acabou por fazer a escola atingir um início de ensaio até a metade extraordinário.

"O Salgueiro é pra quem tem fé!", Xangô trouxe justiça para sua comunidade aguerrida e empenhada, que em nada tem a ver com brigas judiciais e admistrativas, não deixou desamparado os corações salgueirenses e fez cada componente e torcedor lavar a alma hoje na Sapucaí, como a agremiação protagonista da noite!

Missão difícil, seria para Viradouro ensaiar após o sacode salgueirense. Porém engana-se quem achou que a escola ficou amendrontada. A comunidade de Niterói  iniciou seu ensaio com o samba de 1998, emendando no samba de 2003, que decantava Bibi Ferreira, em homenagem a mesma que faleceu esta semana que passou. 

A Viradouro retorna ao grupo Especial e certamente é uma das escolas mais aguardadas do Carnaval. Com um reforço de peso, Paulo Barros retornou a agremiação, com a missão não somente de permanecer na elite do carnaval carioca, mas de fazer a vermelha e branco brigar lá no topo da tabela.

Hoje, a escola pode comprovar que esta meta continua firme, tamanha organização e comprometimento que foi demosntrado.

É bem verdade que o enredo desperta questionamentos quanto a homogeneidade, clareza e desenvolvimento, porém essa análise só será possível após o desfile.

O samba enredo, também não é dos mais "queridos" pelo público, mas se no CD a faixa não despertou tanto interesse, na Sapucaí o samba foi funcional e cumpriu seu papel, e créditos devem ser dados com muito destaque a mais uma atuação de alto nível do intérprete Zé Paulo Sierra e ao show a parte da bateria de Mestre Ciça,  que repleta de coreografias, paradinhas e convenções deu um novo ar ao samba e levantou o público por onde passava.

Com o maior contingente até agora dos ensaios, a escola de Niterói mostrou a força do seu canto e de sua evolução. Constante o tempo todo, a agremiação fez um ensaio explosivo do início ao fim sem deixar de ser técnica mantendo o alinhamento e as divisões coesas das alas. 

 

O brilho no olhar, realmente voltou!

Para encerrar a noite de ensaios, a Grande Rio chegou a Marquês de Sapucaí, com um enredo e samba inspirados em um pedido de desculpas em referência ao que ocorreu ano passado em relação a decisão de não rebaixamento da escola.

A tricolor passou por uma grande reformulação em seu quadro de funcionários pós Carnaval 2018 e a expectativa era grande quanto ao desempenho desta nova equipe. 

A agremiação de Caxias iniciou o seu ensaio com uma comissão de Frente que mostrava várias situações comportamentais do cotidiano correlacionados a educação. Na sequência, o casal de Mestre Sala, Daniel Werneck, e a Porta Bandeira, estreante, Taciana Couto, se apresentaram de forma satisfatória na maior parte da coreografia, fazendo-se necessario apenas pequenos ajustes pontuais. 

O samba enredo, criticado por muitos não apresentou efeito aguardado, mesmo com o bom desempenho da bateria da Grande Rio, sob comando de Mestre Fafá, que fará sua estreia neste Carnaval. 

A comunidade caxiense cantou, porém de forma inconstante, onde a parte final do samba e seu refrão principal se sobressaía em relação ao restante da obra. A evolução seguiu o mesmo caminho de inconstância por toda a escola.

Outro comentário negativo, foi a não presença da rainha de bateria Juliana Paes, que chamou a atenção do público presente.

 

Por: Léo Tenreiro

Web Rádio Carnavalizando

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