DAIANE MOLET: SOBRE CARNAVAIS E AMORES
04/02/2019 20:43 em Novidades

Sobre carnavais e amores

Caríssimas (os) ouvintes e leitoras (es) da Web Rádio Carnavalizando, a partir de hoje estarei semanalmente escrevendo sobre a maior festa popular. De fã a colunista! Sim, sou uma grande fã da rádio, afinal é um sonho poder escutar uma programação inteirinha com sambas-enredo. Em especial sou fã do programa Ateliê do Samba e dos palpiteiros profissionais da alegria, por isso agradeço imensamente ao convite da Marcele, do Chico, do Júlio, do Leandro e do Márcio para começar esta nova jornada por aqui!

Feito os agradecimentos, deixa eu me apresentar para vocês. Sou a Daiane Molet, mulher negra, carnavalesca, sambista, historiadora e mãe do Malê. Quando fui convidada para escrever uma coluna minha primeira dúvida foi sobre o tema que abordaria, afinal são tantos que instigam minha curiosidade: o uso de enredo/samba em sala de aula, a história do samba e das escolas de samba, o carnaval como resistência da população negra e periférica; entre tantos outros. Mergulhada em incertezas, percebi que, acima de tudo, o que me move é o amor ao carnaval. E por que não começar falando de amor, ainda mais em tempos de tantos rancores, amarguras e ódios?

Não pretendo esgotar as diferentes formas de amar o carnaval, até por que seria impossível. Tenho algumas imagens presentes em minha memória que se destacam, pois de algum modo elas me tocaram, mais que outras. Memórias ancoradas em passados, em locais diferentes, mas que tem na simplicidade e na complexidade o fio que as une. Memórias originadas das experiências que vivi e memórias que presenciei no mundo carnavalesco.

Amor da foliã que assiste aos desfiles em casa ansiosa para o começo da transmissão ao vivo; daquele que aguarda na fila a abertura dos portões dos ensaios técnicos, no sol de cinquenta graus, cansado depois de fazer uma longínqua viagem e tem num pedaço de papelão acondicionado na rara sombra, a possibilidade de recarregar a energia; daquela que planeja a viagem, o ano inteiro e conta diariamente os dias que restam para a partida, não sem antes olhar a foto da fantasia; das crianças que batem em latas de refrigerante ou de cerveja ao lado da bateria, como se fossem um integrante daquela orquestra; do vendedor ambulante que negocia seus quitutes ao ritmo do samba-enredo da sua escola e traça no chão alguns passos; do integrante da escola que desfila animado mesmo diante do peso da fantasia, do calor, da sede e, que após passar pela passarela do samba, aguarda ansioso a chegada da bateria; do dirigente de escola que vende o pouco do patrimônio que possui para colocar a escola na rua.

São tantas manifestações de amor que eu poderia seguir escrevendo, mas agora eu quero escutar vocês. Me contem sobre os amores de carnaval que vocês viveram ou presenciaram!!!

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